É, a par de Stevie Wonder e
Radiohead, o grande acontecimento do ano, no que a espectáculos ao vivo diz
respeito. Bruce Springsteen regressa a Portugal, 19 anos depois da última vez,
em Alvalade, no entretanto demolido estádio do Sporting Clube de Portugal.
Nessa altura, o Boss trazia na bagagem dois discos menores, Human Touch e Lucky
Town, discos que versavam sobre o amor, dois dos trabalhos menos interessantes,
claros pontos baixos numa carreira quase impoluta.
Agora, quase duas décadas mais velho, Springsteen regressa com a E Street Band, mas sem Clarence Simmons. É a única falha a apontar. Até porque, ao longo da última década fez-nos a favor de voltar à grande forma - Working on a Dream (2009) é, por exemplo, material de primeira água, grande trabalho que nos faz acreditar que ainda restam alguns anos de criatividade ao grande herói americano.
Ao longo de uma carreira de mais de 30 anos, Springsteen provou que não era nenhum Dylan wannabe, inspirou nomes gigantes como David Bowie, Manfred Mann, os Kiss, os Portishead, os Cowboy Junkies e os Rage Against the Machine - só para citar meia-dúzia. Gerou descendência: os magníficos Hold Steady, os Gaslight Anthem e, por cá, mais recentemente, os Lacraus - que tocam neste mesmo dia, no Palco Vodafone.
Um dos grandes feitos do Boss foi o de colocar constantemente a questão: "Quão longe está o seu povo do sonho americano?" e, ainda assim, ser um ícone dessa mesma procura constante pela terra das oportunidades - ou não fosse ele uma instituição do rock, da América, dessa terra, desse sonho prometido, mas nem sempre concretizado. O Vietname, o Iraque, o Afeganistão, Guantánamo, George W. Bush, o homem de "Born in the U.S.A." esteve lá, sempre, pronto a colocar o dedo na ferida.
Temos para nós que Born to Run é a obra-prima, um dos melhores discos rock que alguma vez viu a luz do dia, mas também importa destacar Darkness on the Edge of Town, a folk de Nebraska, a ambição de The River e mesmo a alegria, o entusiasmo de Working on a Dream, talvez o disco mais feliz do homem.
O que vamos ter no Rock in Rio? O Bruce do rock, da folk, do blues, o contador de histórias, o patriota, o apaixonado, o desencantado, o encantado, o interventivo, o cool, o homem que, no fundo, podia ser qualquer outro cidadão norte-americano, não fosse o seu enorme talento para contar histórias. História, meus caros, história vai fazer-se no dia 3 de Junho, naquele palco a que chamam Mundo.
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Agora, quase duas décadas mais velho, Springsteen regressa com a E Street Band, mas sem Clarence Simmons. É a única falha a apontar. Até porque, ao longo da última década fez-nos a favor de voltar à grande forma - Working on a Dream (2009) é, por exemplo, material de primeira água, grande trabalho que nos faz acreditar que ainda restam alguns anos de criatividade ao grande herói americano.
Ao longo de uma carreira de mais de 30 anos, Springsteen provou que não era nenhum Dylan wannabe, inspirou nomes gigantes como David Bowie, Manfred Mann, os Kiss, os Portishead, os Cowboy Junkies e os Rage Against the Machine - só para citar meia-dúzia. Gerou descendência: os magníficos Hold Steady, os Gaslight Anthem e, por cá, mais recentemente, os Lacraus - que tocam neste mesmo dia, no Palco Vodafone.
Um dos grandes feitos do Boss foi o de colocar constantemente a questão: "Quão longe está o seu povo do sonho americano?" e, ainda assim, ser um ícone dessa mesma procura constante pela terra das oportunidades - ou não fosse ele uma instituição do rock, da América, dessa terra, desse sonho prometido, mas nem sempre concretizado. O Vietname, o Iraque, o Afeganistão, Guantánamo, George W. Bush, o homem de "Born in the U.S.A." esteve lá, sempre, pronto a colocar o dedo na ferida.
Temos para nós que Born to Run é a obra-prima, um dos melhores discos rock que alguma vez viu a luz do dia, mas também importa destacar Darkness on the Edge of Town, a folk de Nebraska, a ambição de The River e mesmo a alegria, o entusiasmo de Working on a Dream, talvez o disco mais feliz do homem.
O que vamos ter no Rock in Rio? O Bruce do rock, da folk, do blues, o contador de histórias, o patriota, o apaixonado, o desencantado, o encantado, o interventivo, o cool, o homem que, no fundo, podia ser qualquer outro cidadão norte-americano, não fosse o seu enorme talento para contar histórias. História, meus caros, história vai fazer-se no dia 3 de Junho, naquele palco a que chamam Mundo.
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